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Solidariedade em tempos de pandemia “infelizmente há muita pobreza escondida”

Com o aparecimento da pandemia o nosso dia-a-dia tornou-se mais “caseiro” por força das circunstâncias. Eunice Maria, como tantas outras portuguesas aproveitou o confinamento para fazer arrumações em casa. No fundo, para se ‘desfazer’ de coisas que há muito já não utilizava . Enquanto arrumava teve uma ideia e foi essa ideia que abriu as portas à página ‘Dar a quem precisa’ que conta com mais de 2.200 membros e que já ajudou inúmeras famílias.

 

“Dar a quem precisa é um grupo sem fins lucrativos onde não são permitidas vendas. É um grupo destinado a dar. Surgiu no primeiro confinamento quando tive tempo suficiente para fazer arrumações aos armários da minha casa e tirar aquilo que em 20 anos fui acumulando. Assim, apercebi-me que tinha artigos que nunca tinham sido usados: roupa, calçado, roupa de cama…então decidi doar a quem precisasse e assim criei o grupo”, explica Eunice.

 

“Eu não imaginava a dimensão que este grupo ia atingir. Mas criou-se uma onde de solidariedade tão grande e de forma tão rápida que hoje o grupo tem mais de 2.200 membros”, afirma.

Quando lhe perguntamos se a solidariedade ainda existe a resposta da Eunice não se fez esperar “a solidariedade existe sim! E este grupo é a prova disso. Até porque partilhar não é só dar o que nos sobra, mas sim ajudar os que precisam”, afirma emocionada.

A pandemia veio agravar a situação económica das famílias portuguesas “infelizmente há muita pobreza escondida. As pessoas têm vergonha de pedir. Através deste grupo tenho ajudado pessoas que enviam mensagem privada porque têm vergonha de pedir em público e essa vontade tem de ser respeitada”, garante.

Eunice tem acesso a histórias de vida muito difíceis. Famílias inteiras no desemprego, com filhos que infelizmente estão a passar fome “e muitas vezes são os membros do grupo muito atentos e de bom coração que me alertam para algumas situações que conhecem e nessa altura eu própria faço um apelo no grupo e sempre fui muito respeitada e tudo aquilo que pedi para ajudar as pessoas até hoje sempre foi conseguido”.

 

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‘Dar a quem precisa’ é um grupo que tem ajudado muitas famílias. As histórias que Eunice conta são avassaladoras “até hoje orgulho-me de ter ajudado muitas famílias. Principalmente famílias com crianças, porque são esses a quem eu dou prioridade. Já apareceram pedidos de alimentos de pessoas que não tinham comida para os filhos e há sempre alguém que tem algo para partilhar”.

São muitas as histórias que ao longo deste ano de existência do grupo marcaram Eunice e todos aqueles que a ajudam diariamente “posso partilhar consigo algumas que, ainda hoje, me deixam de coração apertado. Houve uma altura um pedido de ajuda para uma família na qual ambos estavam desempregados e com duas crianças. No dia seguinte ao pedido de ajuda uma amiga foi a casa deles entregar pessoalmente a mercearia e produtos de higiene. A jovem mãe, desesperada, começou a chorar confessando que naquele dia a filha de cinco anos ainda estava em jejum porque nem leite tinha para lhe dar”.

As histórias de necessidade replicam-se dia após dia “outro caso que ainda hoje recordo foi o de uma jovem com uma reforma de 150€ por motivos de saúde graves que ajudei com alguma roupa de cama. Quando ela foi buscar era véspera de natal, começou a chorar e a me abraçar confessando que nunca ninguém lhe tinha dado nada e que ia embrulhar tudo para abrir no natal. Noutra altura uma menina de seis anos que queria um peluche, mas estava indecisa entre dois. Eu disse-lhe que podia ficar com os dois e ela, de tanta felicidade, começou a chorar. Deu-me imensos beijinhos e abraços…tão bom!”, afirma Eunice, comovida.

 

“Era capaz de estar aqui o dia todo a lhe contar histórias. Durmo de coração cheio”.

Eunice pretende continuar a ajudar quem precisa e somar cada vez mais seguidores que se unam para fortalecer esta onda de solidariedade “durante a nossa estadia neste mundo temos que fazer uma sementeira. A colheita, essa depende das sementes. Se semeamos coisas boas, a lei do retorno trará coisa ainda melhores. Ajudar os outros faz bem. Se poderem fazê-lo, façam. Um grande bem-haja a todos aqueles que tem apoiado este grupo para fazê-lo crescer e que a ajuda chegue cada vez mais a mais famílias. Muito obrigada”, conclui.

 

“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”

Franz Kafka

 

 Quer colaborar ou sabe de alguém que o queira fazer? Pode contactar com a página ‘Dar a quem precisa’ através do seguinte link:

https://www.facebook.com/groups/804964226739765

 

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