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Portugal e a Justiça sem rosto

O caso do bebé sem rosto deixou Portugal em comoção total. Passado ano e meio do nascimento do pequeno Rodrigo o Ministério Público de Setúbal arquivou o processo contra Artur Carvalho, o obstetra que acompanhou a gestação do bebé. No despacho de arquivamento é considerado que “as malformações do feto não resultaram de erros ou omissões do médico obstetra”. 

Um processo arquivado, com um culpado ilibado e com uma família que perpetua, assim, o seu sofrimento. Convenhamos que nenhuma pena poderia reverter os danos causados a esta família, esses, infelizmente, são irreversíveis. Mas se o caso tivesse sido tratado com justiça acredito que os pais sentiriam que pelo menos, outras famílias estariam protegidas. Sentiriam a tranquilidade de saber que o culpado teve o seu castigo e que agora estaria longe de voltar a exercer a profissão que se esqueceu de honrar.

Todas as mães e pais deste país conseguimos imaginar -e sentir- a dor que embarga esta família desde há um ano e meio. Uma família que esperava por justiça. Uma justiça que pelos vistos, faz-se consoante os nomes, consoante as influências. Penso assim, em todos os ‘Rodrigos’ que  haverá por este país fora, que tiveram a má sorte de se cruzarem com a maldade, com a indolência, com a irresponsabilidade e que agora, não têm ninguém que os ajude, ninguém que lhes faça a justiça que merecem. Porque todos merecemos dignidade e cuidado. Todos merecemos ser tratados com responsabilidade desde o ventre das nossas mães.

Infelizmente cada vez mais entendo o provérbio popular  “até para nascer é preciso ter sorte” e infelizmente a vida do pequeno Rodrigo já está condicionada pela irresponsabilidade de alguém que deveria saber fazer o seu trabalho porque a sua profissão versa acerca de ‘trazer a luz ao mundo’ e o único que conseguiu foi semear escuridão.

Não conheço o pequeno Rodrigo, nem a sua família, mas para sempre terão a minha admiração. Sei que os seus pais o amam incondicionalmente e nisso o Rodrigo teve a maior das sortes. Tem uma família que o ama, que luta por ele e que tem os valores que faltaram a Artur Carvalho, o “médico” que devia ter olhado pelo bem-estar deste bebé.

E assim, vamos andando neste país da justiça sem rosto, onde é mais fácil sermos ilibados de um crime do que vivermos com dignidade!

 

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