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Entrevista| Sílvia Torres: “nos desafios políticos é essencial o saber estar, a honestidade e a integridade”

Sílvia Manuela Torres, barquense, com uma vasta experiência no mundo da política local é agora uma representante do Alto Minho, do Distrito de Viana do Castelo, e especificamente de Ponte da Barca, na Assembleia da República. Além das suas funções profissionais, Sílvia é mãe, esposa, filha e irmã, e numa conversa descontraída, mas cheia de conteúdo, contou ao O Espectador, a dinâmica da sua vida, aproveitando a ocasião para deixar uma mensagem de esperança no futuro.

 

Sílvia, que é mãe de Pedro Nuno, de três anos e meio, fala da dificuldade que supõe gerir a vida familiar quando se está longe de casa a maior arte da semana uma vez que depois de tomar posse, teve de ir viver pra Lisboa “cá em Ponte da Barca eu deixo ficar o meu marido e o meu filho de três anos e meio. Acaba por ser muito desafiante e às vezes, um bocado cansativo porque como mãe, e acho que todas as mães irão concordar comigo, queremos sempre controlar tudo e achamos sempre que só nós é que conseguimos fazer bem, à nossa maneira, acho que isso faz parte da nossa natureza humana enquanto mulheres e enquanto mães. Eu acabo por querer deixar tudo sempre super orientado e organizado, para que realmente, não falhe nada. Não quero dizer com isto que o meu marido não seja capaz, porque é claro que ele é capaz, mas é aquele nosso instinto de sentirmos que só nós é que sabemos fazer determinadas coisas e à nossa maneira e então, é nesse sentido que acaba por ser um bocado cansativo”.

 

A deputada fala com orgulho do seu percurso na política e da satisfação que sente ao ter conseguido “com muito esforço e dedicação” ter chegado até a Assembleia da República “ser Deputada na Assembleia da República é um desafio enorme. Naturalmente que também é uma grande oportunidade. É um orgulho para mim, para nós, barquenses, penso eu, por aquilo que vou auscultando, mas sem dúvida alguma que é um desafio muito grande a nível pessoal. A nível profissional nem tanto porque felizmente eu já tenho alguma experiência na vida política e tenho também, uma grande capacidade de adaptação. Nestes desafios políticos o saber estar é essencial, e nos  fazermos acompanhar daqueles que são os valores mais básicos: honestidade, integridade e determinação”.

Neste desafio Sílvia confessa que o mais difícil de gerir é a distância “o meu filho só tem três anos e meio e a distância é muito difícil de gerir. Conversamos todos os dias por vídeo chamada mas é desafiante porque um miúdo dessa idade não consegue estar ali à conversa, com toda a atenção do mundo, e às vezes temos de utilizar estratégias como fazer aquelas figurinhas que temos na aplicação e assim vamos conversando/brincando e eu vou acompanhando também a vida dele na escola porque felizmente tem uma educadora excelente e uma auxiliar excelente, que compreendem e acabam por fazer um papel um bocado diferente, nesta situação, e ajudam-me imenso a ultrapassar a distância, e consigo sempre estar muito presente e acompanhar as atividades”.

O mundo da política é, por vezes, controversa. Para Sílvia este mundo não é desconhecido e a sua resposta ao facto de cada vez mais na política local existir o confronto, é taxativa “na política sempre houve confronto. Mas agora eu acho que é duma forma cada vez mais agressiva. Acho que na política sempre houve gente com menos valores e gente com mais valores. De qualquer forma hoje em dia, para o bem ou para o mal, as redes sociais, a comunicação social, e a forma como as pessoas se expõe acaba por denunciar muito mais rapidamente essas situações. O que eu acho é que desde sempre, e hoje mais do que nunca, é necessário cada vez mais pessoas com valores vincados na política, e elas ainda existem”.

 

Quando confrontada com o facto das pessoas cada vez mais estarem a perder a fé na política Sílvia responde “as pessoas precisam de ter mais confiança. Porque a verdade é que existe muita gente desprovida de valores e que estão na política para se servirem e não para servir os outros; mas também existe muita gente na política com sentido de missão. E eu falo por mim, que sempre assumi e assumo os cargos políticos, que sabemos que são voláteis (começam agora e podem terminar a qualquer momento), não são para a vida toda, mas enquanto nós estamos lá devemos assumi-los com espírito de missão, com vontade de servir porque a política é mesmo isso”.

Para Sílvia o poder que os cidadãos têm de poder eleger através do voto é fulcral “o poder do voto é um poder muito grande que nós temos e infelizmente às vezes o vemos algo desvalorizado. Eu compreendo que as pessoas se sintam descrentes relativamente à política por inúmeras situações que vão acontecendo, mas efetivamente, as pessoas não podem desmobilizar porque é como em todas as áreas: há políticos bons e políticos menos bons, e por tanto, não podemos desacreditar porque quando desacreditarmos e desmobilizarmos ai fica então entregue, como se costuma dizer, à bicharada. Temos de acreditar, exercer o nosso direito de voto porque só assim nós conseguimos que a política realmente tenha gente boa e cumpra a sua missão, que é servir”.

A deputada tinha também funções de Vereadora na Câmara Municipal de Ponte da Barca mas no passado dia 01 de junho renunciou ao mandato “durante um tempo ainda tentei conciliar as minhas novas funções na assembleia com as funções de vereadora da câmara municipal, mas efetivamente a distância e a assunção de novas funções, comecei a aperceber-me que não estava a conseguir responder como deveria, e por tanto, nestas coisas nós não podemos ficar agarrados aos cargos, não. Se eu estava lá e não estava a conseguir corresponder 100% , então renunciei ao mandato para que outro viesse em meu lugar e faça o papel 100% como deve ser”.

 

Sílvia quis deixar uma mensagem aos jovens, aos barquenses e em especial, às mulheres “a mensagem que eu deixo aos mais jovens é que efetivamente antes de desacreditar, por favor, deem o beneficio da dúvida, acreditem, informem-se, leiam, peçam esclarecimentos a quem de direito, porque antes mesmo de abandonarmos qualquer coisa, ou desistir, temos de perceber porque senão é um ato de cobardia. E eu não acho que os nossos jovens sejam covardes”.

“Aos barquenses, em geral, peço que por favor, acreditem. Mas acreditar só não chega. É preciso também ter atitude, avançar, sem medos das retaliações porque eu sei que muitas vezes a nossa liberdade é condicionada. Mas isso é que não pode ser. Cada um de nós tem que ser livre, e fazer uso desse direito que é a liberdade. Acreditem, lutem, não se deixem intimidar, porque a política não pode ser intimidativa. A política tem de ser livre”.

A deputada deixa uma mensagem de esperança no futuro e endereçou uma mensagem especial às mulheres em geral, mas em especial, às mulheres da sua terra, Ponte da Barca “eu sei que as mulheres, efetivamente pela nossa natureza humana, acabamos por ter desigualdades, e sabemos que uma mulher na política tem trabalho acrescido. E é sempre um desafio maior, como é sabido, mas deixo um desafio a todas as mulheres barquenses que se envolvam na política, porque tudo se consegue. E por tanto, deixo também esse desafio às mulheres barquenses que se envolvam, que vão à luta, porque de facto o futuro pode ser muito promissor, é preciso é nós darmos o passo em frente”.

  •  E as previsões da deputada para as Autárquicas 2021?

“Eu atrever-me-ia a dizer que o PS de Ponte da Barca ganhou um líder aguerrido, um líder determinado, politicamente saudável, e por tanto, penso que o Partido Socialista em Ponte da Barca com o Pedro Sousa Lobo como candidato, e com a equipa que ele vem organizando, reúne todas as condições para que, efetivamente, Ponte da Barca possa ter um futuro muito mais risonho do que o que está a ter neste momento”, culminou.

 

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  1. Dra. não é preciso andar na política para achar que o Presidente Marinho vai perder as eleições. É fruto do não trabalho dele.
    Os Barquenses estão atentos.
    Quanto a sí, continue com essa garra.

  2. Parabéns minha querida,toda sorte do mundo beijinhos