Skip links

“A morte é um atirador furtivo”

Esforçámos-mos para perceber a ‘lógica’ da morte. Quem morre e porque motivo.

Em principio, os mais velhos ou os menos saudáveis vão primeiro. Por isso tentamos atrasar a velhice. Procuramos ter uma vida saudável.

E, de repente, quando pensamos que é essa a lógica levamos um tiro no pé e baralha-nos as contas.

Morre um jovem saudável, cheio de vida, seguidor religioso dessa lógica.

Desportista que nunca comeu fast food ou bebeu álcool.

Nuno Lobo Antunes diz que “a morte é um atirador furtivo. Por vezes dispara à toa e acerta no mais saudável, no menos improvável”. Ninguém fica indiferente à morte de um jovem. Não apenas pelo pouco tempo que viveu mas sobretudo, por aquilo que merecia ainda viver. Ou por aquilo que prometia ser ou dar.

Constança morreu no domingo. Tinha 24 anos.

Sofria de fibrose quística e a esperança estava num medicamento inovador; a sua luta foi notícia.

A nossa magoa é saber que existem muitas Constanças. Que sofrem no anonimato.

O desfecho era previsível mas mesmo previsível, não parece aceitável.

Não tinha saúde, mas lutava por ela com as forças de quem lhe sobra saúde.

Perdeu, o atirador furtivo venceu.

Não fosse ele a morte!

 

 

Escreva um comentário

Nome

Website

Comment

  1. Excelente texto , a morte da Constança chocou-nos a todos , estávamos a torcer por ela e a certa altura convencemo -nos ou acreditamos que ela tinha vencido . Foi um exemplo de esperança , fé e resiliência , não ganhou a guerra mas venceu todas as batalha e cumpriu a sua missão conseguiu que país inteiro se mobiliza-se por uma causa e conseguiu o mais importante o medicamento para os que como ela sofrem do mesmo mal . Por esse feito irá ser sempre lembranda e a sua curta estadia por esta vida não foi em vão . Descansa em paz Constança .