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Como os interesses do petróleo podem destabilizar o Mundo!

Não vou aqui defender Saddam Hussein. Simplesmente acho que nada na história deve ser analisado fora do seu contexto.

Saddam teve uma infância muito complicada. Ficou órfão de pai muito cedo e a mãe tinha uma reputação duvidosa. Aliás, quando Saddam chegou ao poder ficou a saber que um dos seus oficiais tinha dormido com a mãe. Saddam mandou matá-lo, juntamente com o filho. A mãe de Saddam voltou a casar e o padrasto fazia-lhe a vida negra.

Obrigava-o a dançar e quando parava, levada uma sova. Depois na escola da pequena aldeia onde nasceu e vivia, era gozado e atacado. Mais tarde conseguiu sair da sua pacata aldeia e fazer carreira política. Fugido no Cairo terminou o curso de direito e chegou mais tarde a vice-presidente do Iraque.

Fez coisas extraordinárias. Venceu as tensões étnicas entre sunitas, xiitas e curdos. Diminuiu o choque entre os meios rurais e as cidades comerciais. Melhorou substancialmente o poder de compra dos iraquianos através do controlo do comércio internacional do petróleo, uma riqueza do Iraque.

Promoveu a industrialização e a mecanização da agricultura. Levou eletricidade a todas as vilas e cidades. Deu apoios sociais. Combateu o analfabetismo e estabeleceu educação obrigatória até níveis muito altos de educação, incluindo as mulheres.

Separou o poder jurídico do poder religioso, uma associação milenar. Criou um dos melhores sistemas de saúde pública premiado pela UNESCO. Com todas estas mudanças, o Iraque passou a ser um destino de imigração, quer dos países árabes quer da Europa. É claro que isto não foi bem visto por outros países com interesses no petróleo e tudo viria a piorar quando Saddam chegou a Chefe de Estado quando o primeiro ministro morreu.

É claro que Saddam concentrou em si uma série de poderes e como ditador que era resolvia os conflitos com execuções. O ataque químico que matou milhões de curdos chocou o mundo mas o que impressionou mais certos países foi a tentativa de Saddam para controlar o comércio de petróleo dos países do golfo. Saddam queria suspender a produção para fazer subir os preços do petróleo.

Com o pretexto da defesa dos curdos, a França, a Inglaterra e os EUA fizeram embargos ao Iraque e os iraquianos viram as suas vidas a andar para trás. Com a pobreza o fundamentalismo cresce e o Iraque passou a ser o mal dos males da região. Sabemos depois o que aconteceu com a primeira guerra do golfo levada a cabo por Bush pai e a segunda por Bush filho bem mais violenta, justificada pela alegada existência de armas nucleares e por abrigar fundamentalistas do 11 de Setembro.

A verdade é que não foram encontradas essas armas e o insatisfeito Bush filho deu ordens para libertar dos sanatórios milhares de esquizofrénicos que depois nas ruas iraquianas fizeram crimes violentos e violações.

Saddam foi apanhado e julgado por um “independente” tribunal iraquiano quando devia ter sido julgado no TPI em Haia. Enfim. Penso que ficou claro que o mundo se move por interesses obscuros em nome da paz e da democracia, quando de facto o que sempre interessou foi o “ouro negro” sem o qual as sociedades ocidentais simplesmente param!

 

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  1. Post comment

    Maria Augusta Viana Viana says:

    E Portugal teve também responsabilidades na forma como a guerra do Iraque se desenrolou. Os Açores foram o trampolim para “alguém” que, tendo um alto cargo político, não se preocupou em ensanguentar as suas próprias mãos, porque outros cargos, mais altos, se vislumbravam. Era preciso aproveitar a ocasião, o povo iraquiano, sofreu as consequências e o tão ilustre político ainda hoje deve sentir ” o cheiro do sangue” derramado por inocentes

  2. Excelente reflexão.
    Nada pode ser analisado fora do seu contexto histórico e geográfico.