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“O meu marido faleceu há dois dias. Agora o nosso bebé e eu precisamos ajuda para sobreviver”

Geisy Rangel Jimenez é uma jovem mulher a quem a vida lhe mostrou muito cedo a sua cara mais dura. Em 2018 chegou a Portugal com o seu marido, Luís Soares, vindos da Venezuela, terra natal de ambos, à procura de uma vida melhor e um futuro mais risonho para os filhos que Deus lhes concedesse.

Mas na madrugada deste 06 de outubro de 2021, tudo mudou. Luís faleceu inesperadamente, deixando a Geisy e a Luís Enrique, o filho de ambos, de apenas 7 meses, completamente sozinhos. Esta é a história de uma família que em menos de duas horas, perdeu tudo e que precisa de apoio para sobreviver.

“Luís e eu decidimos emigrar porque a situação na Venezuela era muito difícil e nós, que casámos em 2015 precisávamos encontrar um novo rumo à nossa vida. Pensar em constituir família num país onde tivéssemos segurança e estabilidade. E assim, pensamos em vir para Portugal. Era um país desconhecido, mas já tínhamos aqui alguns amigos. E assim, chegamos a este país em fevereiro de 2018”, começa por contar Geisy.

Luís e Geisy, como muitos outros emigrantes, assim que pisaram solo português, estabelecendo-se no concelho de Arcos de Valdevez, começaram a procurar trabalho “Luís e eu trabalhamos inicialmente numa fábrica. Mas ele sempre alimentou o sonho e a vontade de ter um negócio próprio. Estivemos algum tempo a trabalhar na fábrica até que tivemos a oportunidade de empreender o nosso negócio. Uma pequena loja de ferragens, artigos de limpeza e para o lar. Estávamos em fevereiro 2019. O negócio corria bastante bem. O início foi muito bom…mas a pandemia chegou, e tivemos de fechar”.

Geisy conta que na altura tinha-se despedido da fábrica onde trabalhava para ser ela a gerir as finanças da empresa “decidimos trabalhar juntos e lutar juntos pelo nosso negócio. Trabalhávamos ambos na nossa loja. Eu tratava das burocracias, papéis, faturas e ajudava em tudo o que fosse necessário. Mas a pandemia caiu. Tivemos de fechar e as contas começaram a acumular. Os fornecedores pediam o dinheiro. As contas de casa não aguardavam e assim a nossa situação financeira foi piorando”.

Geisy e Luís estavam à procura de filhos desde 2018. O amor que os unia pedia há muito tempo que gerasse frutos. E passados alguns meses da chegada da pandemia, o tão esperado positivo também chegou “soubemos que eu estava grávida e, apesar da situação difícil na qual nos encontrávamos, ficamos felizes. Um filho é uma bênção. E nós estávamos à procura há muito tempo”.

 

Geisy teve uma gravidez de risco. É hipertensa teve diabetes gestacional. Com o aligeirar das restrições Luís votou a abrir o negócio “mas os clientes continuavam sem aparecer. As restrições da pandemia estavam mais brandas mas as pessoas não saiam de casa. Havia dias que não tínhamos nem um cliente. Voltou a cair mais um confinamento e ali as coisas ficaram mesmo muito difíceis. Mas o Luís resolvia sempre. Eu estava de baixa em casa e quando ele chegava com as compras feitas eu dizia-lhe: Luís, como e que estás a fazer para não nos faltar nada? Eu sei que a situação está difícil. E ele só me dizia: não te preocupes com nada, eu resolvo”.

Entretanto Luís foi chamado mais uma vez para trabalhar numa fábrica, como reforço “e claro que ele aceitou. O nascimento do bebé estava cada vez mais perto e precisávamos muito de outra fonte de rendimentos. E assim, Luís aceitou o trabalho na fábrica. De dia estava no negócio. De noite trabalhava na fábrica. O nosso bebé nasceu em fevereiro de 2021. Foram tempos muito difíceis. Ele esteve comigo no hospital quando o Luís Enrique nasceu, mas depois, quando voltámos para casa não foi fácil. Ele trabalhava de dia a de noite e eu estava sempre sozinha com o bebé. Ambos estávamos exaustos”.

Geisy conta que a situação ficou ainda mais difícil quando no mês passado, em setembro, Luís foi despedido da fábrica “ali sim a situação foi devastadora. Durante este ano e meio de pandemia contraímos muitas dívidas por causa do negócio. Quando estamos nesta situação tentamos esticar o dinheiro, mas há sempre um buraco que fica aberto. Foi muito difícil ficar novamente, sem mais uma fonte de rendimentos. As preocupações eram muitas”, desabafa Geisy.

Infelizmente quando pensamos que as situações não podem piorar, pioram, e de uma forma avassaladora “como eu já expliquei o Luís andava muito cansado. As preocupações eram muitas. Na segunda-feira (04 de outubro) foi o nosso aniversário de casamento. Fizemos seis anos de casados. E ele disse-me para irmos passear, para aproveitarmos que ainda estava bom tempo e disse-me para festejarmos que estávamos juntos, que tínhamos o nosso bebé, e assim o fizemos. Ele nesse dia queixou-se que se sentia cansado, que lhe doía as costas, que sentia como se tivesse uma gripe. Eu disse-lhe para irmos ao hospital, mas ele recusou”.

“No dia seguinte, 05 de outubro, feriado, Luís decidiu abrir a loja só de manhã, na esperança de fazer algum dinheiro para esse dia. Tínhamos de ir comprar leite e fraldas para o menino. Mas chegou a casa sem nada, e continuou a queixar-se das dores e o cansaço extremo. Voltei a pedir-lhe para irmos ao médico, mas recusou, e combinamos que se no dia seguinte, continuasse assim, íamos para o hospital, e ele concordou…mas já não houve tempo”, conta Geisy, em lágrimas.

Luís faleceu na madrugada de terça- para quarta-feira “por volta das 2h00 da manhã eu vi que ele não estava bem. Que a sua respiração não estava bem. Tentei chamar por ele, acordá-lo, mas ele já não reagia. Liguei para o nosso senhorio para me vir ajudar e liguei para o 112. Quando os bombeiros chegaram tentaram reanimá-lo durante uma hora, mas já nada havia a fazer”, chora.

Geisy não só assistiu à morte do seu marido, como o fez com o bebé de ambos ao colo “o bebé quando ouviu os meus gritos, e da minha sogra, a clamar por ajuda acordou. Depois viver tudo aquilo foi um pesadelo. Eu sinto que ainda não estou em mim. Estou em choque”.

Geisy e o seu filho perderam o seu pilar “ainda não temos o relatório da autopsia. Mas ao que tudo indica poderá ter sido um enfarte ao miocárdio/paro respiratório. E eu não paro de pensar no tamanho da preocupação que o meu Luís teria dentro dele para não ter resistido. Não paro de pensar nisso”, desabafa muito comovida.

Agora o bebé Luís Enrique e ela precisam ajuda não só para pagar os custos do funeral, mas também para iniciar uma vida do zero “nós neste momento não temos um euro sequer. Estamos a viver das ajudas dos amigos e conhecidos. Esta semana recebi um cabaz de compras que nos ofereceu uma amiga e foi muito tranquilizante. Para já ainda temos algumas coisas para comer. Mas é uma situação muito difícil”.

Geisy pede ajuda para tentar encontrar uma nova força depois da terrível experiência que lhe tocou viver “eu tenho de viver um dia de cada vez. Sei que temos muitas dívidas. O meu Luís nunca deixou que nos faltasse nada porque agora sei que se endividou para que nunca faltasse pão na mesa. Eu tenho muitas dívidas para saldar e peço a quem me possa ajudar para que nunca falte comida ao meu filho daqui em diante”.

A família criou uma conta gofund.me para ajudar a Geisy. Quem quiser colaborar pode seguir este link https://gofund.me/d6a67b51 e fazer o seu donativo “neste momento, qualquer ajuda, por pequenina que seja, será enorme para mim e para o meu bebé”, afirma Geisy.

Apesar da situação, Geisy mostra-se esperançada “eu sei que o meu bebé e eu vamos conseguir ultrapassar isto. Um dia de cada vez. Mas é muito difícil. Ainda não sei o que vou fazer. Faz-me muita falta a minha família, a minha mãe, o meu pai, a minha irmã. Os amigos estão presentes, mas quando nos acontece o que me aconteceu a mim, precisamos do colo dos nossos”.

Esta família necessita ajuda. Para donativos em dinheiro entrar neste link: https://gofund.me/d6a67b51 

Para qualquer outro donativo pode entrar em contacto através do nosso Facebook: https://www.facebook.com/jornaloespectador e do nosso email: jornaloespectador@gmail.com.

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Comment

  1. Bom dia,
    Como posso fazer para entregar bens alimentares e outros a esta senhora?
    Obrigada

    1. Poderá contactar pelo número de telefone 927 969 567.
      Se for de Ponte da Barca pode deixar os seus donativos na pastelaria Caracas

  2. Vamos todos ajudar esta jovem mulher.
    Que vida dificil, vai ter que enfrentar!
    Se todos ajudarmos, nada perderemos e suavisamos lhe um pouco, a vida.

  3. Pedem ajuda para pagar o funeral a seguranca social nao ajuda , a senhora vive em arcos de valdevez

    1. A senhora vive em Arcos de Valdevez sim.
      A segurança social ajuda sim, mas essa ajuda demora a chegar. Mas ela precisa ajuda para muitas mais situações.
      Se quiser ajudar poderá encontrar na reportagem como fazê-lo.
      Muito obrigada

  4. Bom dia posso ajudar com roupa para o bebé e calçado!!!envie me msg por favor..Fazer o Bem a quem Necessita Deus ira Ajudar!!!😘😘

    1. Boa tarde Julieta.
      Poderá ligar por favor para o número de telemóvel 927 969 567 e combinar entrega.

      Muito obrigada

  5. Boa noite,
    Ao inserir o link do gofund.me diz qhe não existe.
    Como poderei fazer um donativo?

    1. Se preferir poderá fazer através do IBAN: PT50 0033 0000 4552923929805. O nome do titular da conta é: Geisy Maivelin Rangel Jimenez.