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Reportagem| “O maior atrativo de Melgaço são as suas gentes. A sua capacidade de abraçar”

O Espectador rumou até ao concelho mais a norte de Portugal: Melgaço. Uma terra que como dado curioso, faz fronteira com sete municípios espanhóis. É um território em franca expansão, possuindo diversos projetos a nível social, económico e no turismo- natureza que lhe permite estar na rota do investimento por parte de consórcios internacionais.

O concelho de Melgaço, é dono da localidade mais setentrional de Portugal com o ponto de arranque do nosso país em Cevide. Nesta visita aproveitamos para conversar com Manoel Batista, Presidente da Câmara Municipal de Melgaço, homem de conversa fácil, dono de um aprofundado conhecimento do território e da realidade do concelho que dirige.

 

Melgaço, à semelhança de outros concelhos do Alto Minho, e segundo os dados obtidos nos últimos Censos, é um dos concelhos com menos população e este foi o ponto de arranque para esta entrevista: qual a estratégia para atrair/fixar população?

O autarca explicou “o resultado dos censos é, no fundo, a nossa estrutura demográfica. Nós chegamos a esta estrutura demográfica aqui em Melgaço porque nas décadas de 50, 60 e 70, a população jovem, em idade ativa, e em idade fértil, abandonou o território por necessidade de encontrar qualidade de vida, respostas à procura de emprego e com certeza, uma situação financeira melhor (…) assim, saíram milhares de pessoas para territórios europeus, sobretudo França, e foi este volume de pessoas que saiu, foi este fenómeno de imigração, que nos aconteceu, que levou a que décadas depois, tenhamos a estrutura demográfica que temos neste momento. Por tanto, as coisas que acontecem por razões de espaços temporais como foi o caso da imigração em três décadas, não se resolvem com um plano que tenha intuito de obter objetivos imediatos. Resolvem-se com estratégias sérias, prolongadas no tempo e que venham a dar resultado”.

E nesta ordem de ideias: o que é que pode ser feito em qualquer um dos municípios que viu a sua população reduzida?

“é sermos capazes de criar riqueza que permita fixação. De criar riqueza que permita atração de pessoas de fora e com isto, renovarmos a nossa demografia. Com o objetivo de crescer ligeiramente, mas sobre tudo com o objetivo de a renovarmos e consolidarmos. E é isso que em Melgaço estamos a fazer com economia real. Porque sem economia real, sem emprego, sem crescimento económico não temos capacidade de atrair e fixar. E a economia real está a acontecer na área do turismo (…) e também a área da vinha e do vinho que já está a atrair pessoas para o território. Existem em Melgaço na área da vinha e do vinho gente que vem de fora trabalhar cá, e que se fixa cá e que está cá a trabalhar connosco. Que compra habitação, ou arrenda, para viver em Melgaço, e se estabelecer cá. E espero que com o trabalho que estamos a fazer na área da indústria, possamos nos próximos anos, ter capacidade de acolher mais gente, de captar mais gente, para se fixarem em Melgaço. Há vontade de investimento, e já no próximo ano, 2022, isso acontecerá e começarão a ser contruídas empresas na nossa zona empresarial, que terão essa capacidade de atração”, afirma Manoel Batista.

Outro dos pontos fulcrais para o crescimento do concelho elencado pelo autarca é a habitação, referindo que “para sermos capazes de responder a essa atração, há uma outra matéria que refiro e que é fundamental, que é a habitação. Procurando que haja investimento público da Câmara, que haja investimento público do HIRU, e sobre tudo, procurando que haja também investimento privado. Que haja atores privados que queiram vir trabalhar este setor da habitação e felizmente estamos a perceber que há vontade de parte dos alguns privados, em construir, em trazer habitação nova para o nosso território. Mas também sermos capazes de nos reinventar, que tal como fomos capazes de criar um projeto para o comercio local, sejamos de igual maneira capazes de criar um projeto inovador na área da habitação. Resgatar a habitação que está fechada para que possa ser colocada no mercado e possa ser a habitação para aqueles que chegam e para aqueles que queiram vir trabalhar”, vinca.

Como concelho transfronteiriço Melgaço tem uma estreita ligação com a Espanha e este é um dos pontos que o autarca acha ser necessário manter “é importante estreitarmos as nossas relações comerciais e industriais com Espanha. Somos vizinhos, mais do que vizinhos, somos irmãos. A nossa relação com a vizinha Galiza, é enormíssima, desde sempre, e nas últimas décadas foi consolidando-se. Desse ponto de vista somos um município digamos, afortunado. Fazemos fronteira com 7 municípios galegos, não há mais nenhum município, que eu saiba, na fronteira que tenha tantos municípios a fazer fronteira com a vizinha Espanha como nós. Por isso, o nosso interesse em estreitar esta relação com ganhos para o município de Melgaço mas com certeza que esta relação só se solidifica se houver ganhos também, para os municípios galegos”, confessa.

Se pudesse nomear quais os atrativos que Melgaço oferece a quem escolha este município para fazer vida e negócios, quais seriam?  

A resposta não se fez esperar “acho que o maior atrativo que Melgaço tem são as suas gentes. O povo de Melgaço. A sua capacidade de acolhimento, a sua capacidade de abraçar. Acho que isso é importante. Depois, as caraterísticas do Município, a sua riqueza que é absolutamente extraordinária. Nós conseguimos juntar a realidade do Rio Minho com as suas características e docas pesqueiras, juntá-las aquilo que é a Reserva Mundial da Biosfera, e o Parque Nacional Peneda-Geres, juntamos tudo. Temos uma paisagem extraordinária, com uma potencialidade extraordinária para várias áreas nomeadamente, a área do turismo-natureza. Depois, importante também desde o nosso ponto de vista, é sermos capazes de criar todas as condições para que as pessoas venham para cá criando emprego, criando condições de habitação, e apelando a que as pessoas percebam as potencialidade que temos e a qualidade de vida que temos. Eu julgo que isso está a acontecer. Temos muitas pessoas que estão a comprar casa em Melgaço. Num ponto concreto do nosso território, numa aldeia, tinham sido vendidas sete casas desde agosto, por pessoas que querem vir morar cá e que querem recuperar casas. Tenho noção também que a campanha que fizemos e que estamos a continuar a fazer que é ‘Viver em Melgaço’ tem trazido gente. Estamos a ter esse retorno. Temos todas as condições”, garante.

Aproveitando esta quadra natalícia Manoel Batista quis deixar uma mensagem a todos os Melgacenses “um grande abraço a todos os melgacenses que estão em Melgaço. Mas também, um grande abraço aos muito melgacenses, que são quase tantos ou mais que os que estão cá, e que estão espalhados pelo mundo. Com uma concentração muito especial na França. Melgaço é grande, porque não está confiando aos 232 quilómetros quadrados que o compõe, estende-se ao mundo inteiro. A todos desejo um ótimo Natal, que é uma época muito especial, um período muito importante das nossas vidas, e que nos ajuda, por vezes, a repensar, aquilo que devem ser os valores da vida. Que tenham oportunidade de fazer progressos e melhorar as suas vidas em 2022, e dizer-lhes a todos que será uma grande alegria recebê-los cá quando voltarem no verão, mas também recebê-los na nossa Festa do Alvarinho, que eu espero, possamos recolocar no terreno no próximo ano, e que é o grande momento de encontro de toda a comunidade que está em Melgaço e toda a comunidade que está fora. Desejar que este novo ano nos permita, ultrapassados estes problemas maiores da pandemia, voltarmos a nos abraçar todos”, culmina com grande ênfase.

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