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Conservatório de Música e Dança de Arcos de Valdevez: “o orgulho de ver crescer uma instituição”

O Conservatório de Música e Dança de Arcos de Valdevez, atualmente com 180 alunos, entre ensino articulado e ensino livre, é a única escola certificada no concelho de Arcos de Valdevez e é uma prova de como o trabalho e a constância das associações podem transformar-se, a longo prazo, em projetos sustentáveis.

 

O Espectador esteve à conversa com Nuno Brito, membro da direção daquela instituição e ficamos a conhecer mais da história do Conservatório e quais os projetos que estão previstos para os anos vindouros.

“Esta escola foi fundada em 2014. Na altura por pessoas que nem são naturais de Arcos de Valdevez: o Amadeu Palhares, o professor Carlos Pinto da Costa, que embora tenha algumas ligações aqui a Arcos de Valdevez, não é natural de Arcos de Valdevez e que é, neste momento, o Diretor da Academia de Música de Esposende, juntamente com a Liliana Nogueira, que hoje é a nossa Diretora Pedagógica, e com o Duarte Barros que é um jovem empresário de Arcos de Valdevez, na área da consultadoria das escolas na área do ensino artístico”, começa por relatar Nuno Brito.

Conta que no início o projeto “foi muito à base de ajuda por parte dos encarregados de educação. Os membros fundadores apenas fizeram uma pequena apresentação a esses encarregados de educação e houve uma série deles que juntaram forças e juntamente com esta direção, conseguiram implementar o ensino articulado na escola regular, no agrupamento de escolas, em cooperação”.

O Conservatório foi crescendo aos poucos “no ano letivo 2014/2015 apenas foi uma turma de 11 meninos. Em 2015/2016, aumentou para 12, em 2016/2017 aumentou para 22, e depois em 2018/2019, que foi quando eu entrei para esta direção, juntamente com o António Teixeira, com o Padre Custódio Branco, com a Liliana, e com a Dra. Susana Amorim, conseguimos algo que era importante que era o apoio camarário. Quando nós conseguimos tomar as rédeas desta direção apresentamos o projeto à Câmara Municipal no sentido de um projeto educacional, não só um projeto associativo/recreativo, e na Câmara desde o primeiro minuto, acreditaram nas nossas palavras, só nas nossas palavras, porque nós não tínhamos nada. E essas palavras transformaram-se, em dois anos, numa escola sustentável. Claro que em 2018 nada previa que isto podia acontecer. Mas nós conseguimos”, afirma orgulhoso.

Mas foi só no ano de 2019 que lhes foi concedida a Licença por parte da Direção Geral de Estabelecimentos Escolares (DGEsTE) “foi nesse ano que conseguimos a licença para este edifício, para podermos lecionar aulas de música aqui neste edifício. Concretizou-se em 2019, e logo após introduzimos a candidatura ao apoio estatal que é o contrato patrocínio para o Ensino Artístico, e em 2020 foi-nos concedido, no meio de uma pandemia, em setembro de 2020 recebemos esta notícia. A certificação própria foi em 2019, a nível de infraestruturas e em 2020, obtivemos o apoio estatal”, recorda.

Nuno Brito afirma que ter conseguido este contrato patrocínio “foi um sonho concretizado. Entrarmos na Rede Nacional de Escolas do Ensino Artístico. Neste momento estamos no top 20 das escolas (a nível nacional) com menos recursos, mas com melhores resultados e isso para nós é um profundo orgulho”.

O Conservatório de Música e Dança de Arcos de Valdevez tem atualmente 55 crianças no ensino articulado “agora é só crescer. Estes contratos patrocínio efetuam-se de dois em dois anos, nós já estamos a preparar para 2022. Houve aqui um grande aumento em número de alunos de 2020 para 2021, fruto também do facto de nós já termos as instalações e capacidade financeira para pagar aos professores e acho que isto leva a que o ano 2002 -e vindouros- sejam anos risonhos”, garante.

 

O orgulho de ver crescer uma instituição…

Para Nuno Brito, e restantes membros da direção “é um orgulho olharmos e vermos esses meninos que se calhar não tinham um grande aproveitamento escolar no ensino regular, mas que esta vertente artística permitiu-lhes alertar, de certa forma, para outras aptidões e agora têm efetivamente, uma grande melhoria nos seus resultados. Isto também é um orgulho para nós. Estamos muito satisfeitos com este projeto. Claro que nós não somos infinitos, não somos eternos nos lugares, mas esta direção está extremamente grata por hoje conseguirmos ter levantado um projeto que vai ficar na história de Arcos de Valdevez. Porque não existia nada aqui na zona norte e por tanto, era importante implementar este projeto porque tem muito futuro”, afirma.

Os planos traçados para o CMDAV nos próximos anos são muito claros, crescer “é claro que nós não queremos ficar só por aqui. Nós temos vários objetivos. Um deles, fomentar o ensino articulado na comunidade. Isto é: dar a entender à comunidade que o ensino articulado de música não é nenhum ‘bicho papão’. Nem muito menos é impedimento para o seu menino futuramente ser doutor, engenheiro, etc, muito pelo contrário. O ensino articulado ajuda a alertar para certas capacidades cognitivas que a criança tem que lhe permite crescer ainda mais. Mas para isso, é necessário que nós consigamos fomentar esta ideia na comunidade”, explica Nuno Brito.

E prossegue “a segunda meta é aumentar o número de alunos no ensino articulado (ensino básico). Mas nós ainda este ano letivo, perdemos dois alunos tiveram de ir para Ponte de Lima, porque nós aqui ainda não temos o ensino artístico no secundário. Essa é a nossa meta: encontrarmos certificação para o ensino secundário. Termos a possibilidade de mantermos cá os jovens que queiram seguir música. Porque é bom para nós, e é bom também para o agrupamento que não os vê sair. Mas os nossos objetivos não ficam por ai”.

“Nós, tal como o nome indica somos o Conservatório de Música e Dança de Arcos de Valdevez. A dança também é um ensino artístico que pode e é financiado pelo Ministério, e pode também ser lecionado em articulação com a escola. Ou seja, tal como existe o ensino articulado de música, também existe o ensino articulado de dança. Esse também é o nosso próximo objetivo. Esta direção já anda em conversações com instituições/escolas de dança do concelho, porque nós gostamos muito de trabalhar em conjunto. Não individualmente, sempre em parceria. Juntos conseguimos coisas maiores e melhores. E, portanto, se nós conseguirmos que uma instituição em Arcos de Valdevez nos ajude nesta área de dança, e que nos permita crescer, nós temos que abraçar esses projetos e cooperar com eles. E é esse o nosso objetivo. Para o próximo ano será um pouco difícil, mas pensar numa possibilidade para um contrato patrocínio para 2024”, adianta.

O Conservatório de Música de Dança de Arcos de Valdevez zela pelo aumento da cultura no concelho e é por isso que tem vários projetos a andar e que desde 2019, até ao momento, têm resultado muito bem “um deles é o: Música fora de portas, onde nós conseguimos sair da escola, sair da vila, e vamos a outras instituições, em parceria com elas, fazer pequenos espetáculos, e que é bastante interessante, para haver este intercambio de ideias inter-geracional, e que as pessoas, a comunidade, possa perceber o que é o conservatório. Em 2020 não foi possível, em 2021 tentamos, saímos, algumas vezes, mas não com tanto ênfase. Esperemos que em 2022, a partir de março, consigamos sair, quer na altura da Páscoa, quer na altura do advento”.

Outro dos grandes projetos que o CMDAV tem e que constitui um sucesso, é o projeto denominado: Conversas da Escola “esse é um projeto que nós fazemos quase todos os anos, e que é, no fundo, uma pequena tertúlia, onde nós convidamos pessoas relacionadas com a literatura e com a área da educação, e convidamos artistas de renome. O primeiro ‘Conversas da Escola’ foi com o Maestro Cristiano Silva, que é o Diretor da Orquestra Nacional de Jovens, juntamente com o Presidente de Câmara de Paredes de Coura, que embora seja um autarca, é também um aficionado da música juntamente com o Miguel Ribeiro, jornalista da SIC notícias, que também ele tem como hobbie/paixão, a música. E conseguimos assim, criar um evento muito engraçado, foram debatidos grandes pontos de vista a nível da música, e é esse o objetivo: levar isso às pessoas. Perceber o que é que é música e o que de bom pode trazer à nossa vida”, explica.

Nuno Brito garante que em 2022 pretendem continuar com este projeto e conseguir aumentá-lo “para já não quero estar a desvendar nomes, mas pretendemos ter cá um artista de renome e que também é um amante de Arcos de Valdevez. O objetivo este ano será incluir outras instituições no projeto, em parceria. E o objetivo seria fazer um fim-de-semana de Conversa na Escola. No sábado à noite a grande tertúlia, e no domingo à tarde fazer um grande concerto com acompanhamentos de dança em parceria com as instituições do concelho e juntamente com a Banda dos Arcos. No fundo, um espetáculo filarmónico com os convidados. Fazer um espetáculo extraordinário. Mas isto para já é um projeto que está em off. Para já, é só um esboço”.

Para ninguém é um segredo que estes quase dois anos de pandemia foram muitos difíceis de gerir em termos escolares. E para o Conservatório a realidade não foi diferente “a nossa maior dificuldade foi a adaptação ao teletrabalho. Acho que isso foi a maior dificuldade. Porque naqueles momentos iniciais onde ninguém sabia o que fazer, como ia fazer, aquele aluno não tinha computador, o outro não tinha internet, esta foi a maior das dificuldades que os nossos professores tiveram. Relativamente às aulas claro que uma coisa é dar aulas de guitarra, piano, saxofone, presencialmente, outra coisa é dar por Skype, ou Zoom, mas a verdade é que conseguimos que houvesse resultados bastantes positivos e mal o país abriu os alunos voltaram e mais do que isso, aumentaram”.

E prossegue “tenho de reconhecer o valor dos nossos professores. Profissionais de uma simpatia singular. Professores de uma capacidade de trabalho extraordinária, e pessoas que arranjam sempre alternativa quando existe um problema. Um problema surge, é uma pedra no sapato, vamos tirar essa pedra e vamos continuar. E eles conseguem ir por aí e conseguem trabalhar e ajudar assim a direção neste caminho”.

 

O Conservatório de Música e Dança de Arcos de Valdevez, na pessoa do Nuno Brito e demais membros da direção quis aproveitar esta quadra natalícia para deixar uma palavras aos alunos, aos professores e à comunidade em geral “eu começo sempre pelos nossos alunos, que nunca se esqueçam do Conservatório. Mesmo aqueles que saem, dizer-lhes que nunca se esqueçam do Conservatório. E que estará sempre aqui uma porta aberta para aquilo que necessitem e naquilo que pudermos ajudar. Desejar a todos os alunos boas notas, acima de tudo, que sejam recompensados pelo esforço, e que não pensem que isto é fácil. Porque às vezes é um pensar comum: vai para a música porque é mais fácil, e não é. Todas as disciplinas, quer do ensino regular, quer do ensino artístico, necessitam de trabalho e disciplina. E por tanto, é a partir dai que eu deixo aqui o mote, que trabalhem, porque com certeza que o seu trabalho e dedicação será recompensada ao final do ano”.

“A todos os professores do conservatório também quero dar aqui uma palavra. Eu encho-os sempre de elogios e dizer-lhes também que temos aqui sempre uma direção pronta para ajudá-los naquilo que pudermos ajudar, estaremos sempre disponíveis, porque nós compreendemos que eles são uma das grandes caras deste conservatório e numa escola tendo professores felizes, temos a escola feliz. Eles são a cara desta escola e, portanto, agradecer-lhes também a entrega e a dedicação de todo o ano”.

E à restante comunidade e aos encarregados de educação “dizer-lhes que o Conservatório de Arcos de Valdevez está pronto para ajudar os filhos deles. Eu reforço sempre esta palavra: escola, porque isto é uma escola, isto já não é uma associação. É uma escola oficial do Ministério de Educação onde se pode seguir carreira do Ensino Artístico, neste caso de música, e num futuro, de dança também e assim, desejamos a todos um Santo e Feliz Natal e que o ano 2022 traga acima de tudo muita independência das doenças e um futuro mais risonho para todos eles”, culminou.

 

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